O Rio Grande do Sul possui um potencial energético significativo, com uma matriz 85% renovável, mas enfrenta desafios para converter essa energia em competitividade industrial. Essa foi a conclusão do painel “A indústria no futuro do RS: Segurança energética e tecnologias para a competitividade”, realizado na 35ª Mercopar, em Caxias do Sul, que contou com a participação de especialistas do setor.
Durante o debate, mediado por Marjorie Kauffmann, diretora-superintendente do Sebrae RS, os especialistas destacaram a necessidade de articular melhor a indústria, o governo e os agentes financeiros para impulsionar investimentos em projetos de gás, biometano, eólicas e hidrogênio verde, que somam uma carteira de R$ 40 bilhões.
Marjorie Kauffmann enfatizou a importância de discutir a eficiência no uso de recursos naturais, citando a Mercopar como um exemplo prático de inovação, onde a feira utilizou biodiesel produzido a partir de resíduos. A resiliência do sistema energético do estado foi evidenciada, especialmente durante a crise climática de 2024, quando o fornecimento de gás natural permaneceu ininterrupto.
Os painelistas também abordaram a importância do biometano, que é considerado o “irmão gêmeo” do gás natural, e o projeto Biohub, que conecta produtores a consumidores, equilibrando a oferta e a demanda. A diretora de inteligência e estratégia da Invest RS, Caroline Bücker, ressaltou a necessidade de mudar a mentalidade do mercado para aproveitar as oportunidades energéticas do estado.
O gerente regional de vendas da Siemens, Osmar de Souza, destacou o papel da tecnologia na transformação da indústria, permitindo simulações que ajudam na tomada de decisão e na quantificação da pegada de carbono. O painel concluiu com a necessidade de articulação entre todos os setores para que o Rio Grande do Sul se posicione como protagonista na inovação energética.
