Na manhã desta quinta-feira (22), durante a 35ª Mercopar, o painel “O Futuro nos Trilhos: Como a Malha Sul vai Conectar a Indústria Gaúcha” destacou a importância da infraestrutura ferroviária para o crescimento econômico da região. O evento, promovido pelo BRDE em parceria com diversas entidades, reuniu representantes do setor produtivo, do governo estadual e do banco de fomento, mediado pela jornalista Giane Guerra.
A concessão da Malha Sul, atualmente operada pela Rumo, termina em fevereiro de 2027. Durante o debate, foi mencionado que uma prorrogação transitória de dois anos pode ocorrer, permitindo a estruturação de um novo modelo ferroviário. O novo modelo, em audiência pública na ANTT, divide os 4.250 quilômetros da malha em três corredores: Paraná–Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul.
Os governos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná expressaram preocupação com o modelo federal, que prevê uma outorga de R$ 8 bilhões, mas que não atenderia adequadamente as necessidades locais. O diretor de Planejamento do BRDE, Leonardo Busatto, enfatizou que “o recurso das ferrovias fica com as ferrovias”, defendendo um modelo que mantenha os recursos gerados na região para o financiamento do setor ferroviário.
A urgência do tema é reforçada pela dependência do transporte rodoviário na Serra Gaúcha, que abriga um importante polo metalmecânico. Marcelo Dondé, da Mobilização Regional Serra Gaúcha, alertou que a interrupção da única conexão ferroviária na região compromete a sobrevivência das empresas locais.
O diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, Ruben Bisi, destacou que o alto custo logístico, exacerbado pela dependência do transporte rodoviário, impacta negativamente a competitividade das indústrias gaúchas. O secretário de Logística e Transportes do estado, Clóvis Magalhães, criticou a gestão privada da concessão, afirmando que os interesses do concessionário prevaleceram sobre o público.
Como alternativa, o governo estadual propôs o Corredor Estruturante, que visa reativar a malha existente e integrar linhas regionais. A proposta estadual poderia atender até 81% da demanda regional, em contraste com os 44% previstos pelo modelo federal.
