Na abertura do II Seminário de Pedagogia da Região Sul, realizado na UFSM de 24 a 26 de junho, a professora Selma Garrido Pimenta foi agraciada com o título de Doutora Honoris Causa. O evento, que ocorre no Centro de Convenções, é promovido pelo Centro de Educação (CE), pela Rede Nacional de Pesquisas em Pedagogia (RePPed) e pelo Kairós – Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho, Educação e Políticas Públicas.
Antes da cerimônia, o grupo de extensão Mojubá, do Centro de Letras e Artes (CAL), apresentou uma performance artística que homenageou as matrizes africanas e as festas juninas. Em seguida, foi realizada a outorga do título a Selma, que possui graduação pela PUC-SP e carreira consolidada na USP, onde atuou como professora, pesquisadora e gestora. Sua obra é referência em didática, formação de professores e identidade docente, defendendo uma formação que integre teoria e prática e valorize os saberes da docência.
Em seu discurso, Selma leu uma passagem sobre girassóis: “que eles procuram a luz do sol, todos sabem. O que eu não sabia é que em dias nublados eles viram uns para os outros, buscando a energia de cada um. Não ficam murchinhos nem de cabeça para baixo. Olham uns para os outros, lindos. É a natureza nos ensinando. Se não tem sol todos os dias, temos uns aos outros. Que sejamos girassóis o ano todo”.
Em entrevista à UFSM, Selma contou que sua primeira experiência em sala de aula, ainda na Escola Normal, foi um susto: “tomei um banho, porque a meninada começou a fazer bagunça. Durante três horas. Quando terminou, eu voltei correndo e chorando para a Escola Normal. Falei para a coordenadora: ‘vou acabar aqui, não vou terminar a escola normal, porque eu não sirvo para ser professora’”. A coordenadora a convenceu a concluir o curso e a prestar vestibular para Pedagogia, o que mudou sua trajetória.
Sobre a distância entre a formação acadêmica e a realidade escolar, Selma afirmou que “hoje, penso que as coisas mudaram um pouco, mas não muito” e destacou a importância do estágio em escolas públicas: “essa relação da instituição formadora com as instituições da educação básica é essencial”. Ela também explicou que a identidade docente é um processo histórico e pessoal, que deve ser provocado pelo curso, com base teórica sólida e contato com a realidade.
