O Seminário AproPampa, que será realizado durante a Expointer 2026, no dia 2 de setembro, às 14h, vai discutir como a Indicação Geográfica (IG) pode valorizar a carne produzida no Bioma Pampa e ampliar as oportunidades de inserção dos produtos gaúchos no mercado internacional. O evento é voltado a produtores rurais, especialmente aqueles com propriedades na região do Pampa.
A AproPampa (Associação dos Produtores do Pampa Gaúcho), detentora da IG da carne bovina do Pampa Gaúcho da Campanha Meridional, promove o encontro para debater como posicionar a produção regional a partir de características próprias, ligadas ao território, ao sistema de criação e às particularidades da matéria-prima.
Segundo o gestor de Agronegócios do Sebrae RS, André Bordignon, a discussão sobre IGs é relevante para valorizar os diferenciais da produção regional. “O Rio Grande do Sul tem condições de se posicionar em mercados que valorizam qualidade, origem e características próprias dos produtos. A Indicação Geográfica é uma ferramenta que ajuda a comunicar esses diferenciais e pode contribuir para que o produtor agregue mais valor àquilo que produz”, afirma.
A carne do Bioma Pampa tem características associadas ao território, como solo, vegetação e clima, aliadas às raças, tradição e cultura. As lidas campeiras são um dos elementos que, segundo a AproPampa, formam um conjunto de fatores que resulta nas características próprias da carne da região. O Bioma Pampa corresponde a mais de 63% do território gaúcho e concentra cerca de 90% da pecuária de corte do Estado.
Além da carne, o seminário busca ampliar o olhar dos produtores para outras cadeias produtivas que já possuem ou podem obter IG no Rio Grande do Sul, como própolis e erva-mate. A lógica é semelhante: produtos que comprovam origem e características diferenciadas podem encontrar consumidores dispostos a pagar mais por atributos ligados ao território.
Rodrigo Marques de Lima, analista de Projetos do Sebrae RS, destaca que “para a pecuária gaúcha, não é estratégico disputar com outras regiões apenas em quantidade. O diferencial está na qualidade e na identidade da nossa produção. A Indicação Geográfica ajuda a mostrar ao mercado que essa carne tem características próprias e pode alcançar consumidores que valorizam e estão dispostos a pagar por esse diferencial”. Ele ressalta que o reconhecimento também pode fortalecer a relação entre produtores e indústria, gerando maior retorno ao longo da cadeia.
O presidente da AproPampa, Custódio Magalhães, enfatiza que a construção desse posicionamento depende da valorização do conjunto de características que diferenciam a produção do território. “Solo, vegetação, clima, raças, tradição, cultura e as lidas campeiras executadas pelo gaúcho formam um conjunto de fatores que resulta em um sabor e uma qualidade únicos, determinando o terroir da carne produzida nesse bioma, reconhecida no Brasil e no mundo”, destaca.
Magalhães também ressalta a parceria com o Sebrae RS, que acompanha a associação desde o início do processo de construção da IG. “O Sebrae esteve presente desde o início da IG e segue ao lado da associação nas mais diversas frentes, desde a estruturação, planejamento e desenvolvimento de mercados até a parceria com a indústria. Toda essa articulação da cadeia é extremamente importante para o sucesso da IG”, afirma.
