sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Postado emRio Grande do Sul, Vida e Saúde

Estudo com participação da UFSM revela como uso da terra influencia doenças na Amazônia

Estudo com participação da UFSM revela como uso da terra influencia doenças na Amazônia
Estudo com participação da UFSM revela como uso da terra influencia doenças na Amazônia
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Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) participaram de um estudo internacional que investigou como as atividades econômicas e as transformações ambientais afetam a ocorrência de doenças na Amazônia. O trabalho, publicado na revista Nature Communications Earth & Environment, analisou dados de todos os municípios da Amazônia Legal e identificou padrões distintos de doenças transmitidas por vetores, como malária, dengue, leishmaniose e doença de Chagas, associados a diferentes formas de uso da terra e fatores socioeconômicos.

A pesquisa envolveu a docente Camila de Moura Vogt, do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Organizações Públicas (PPGOP) da UFSM, e foi desenvolvida no âmbito do Projeto SInBIOse Trajetórias, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A colaboração, construída ao longo de mais de uma década, reúne especialistas de áreas como economia, epidemiologia, ecologia, saúde pública e sensoriamento remoto, com o objetivo de compreender a saúde de forma integrada.

De acordo com a pesquisadora, a abordagem parte do conceito de One Health (Saúde Única), que relaciona a saúde humana às condições ambientais e sociais. “A questão da saúde não está relacionada apenas à doença. Ela depende também do contexto econômico, do uso do solo, do desmatamento, da estrutura de saúde e da forma como as pessoas vivem”, explicou Camila.

Os resultados mostraram que áreas com menor desmatamento e maior presença de agricultura familiar e sistemas agroflorestais apresentaram maior ocorrência de malária e doença de Chagas. Já regiões mais urbanizadas ou marcadas pela pecuária e pelo desmatamento concentraram casos de dengue e alguns tipos de leishmaniose. A pesquisa também encontrou associações entre diferentes formas de pobreza urbana e rural e a incidência das doenças.

Camila contribuiu com análises sobre pobreza multidimensional, destacando que indicadores baseados apenas na renda não representam a realidade das populações amazônicas. “Quando analisamos essas regiões, olhar apenas para a renda não é suficiente. Existem diferenças importantes no acesso à saúde, aos serviços públicos e à infraestrutura”, afirmou.

Embora o estudo identifique correlações, os resultados podem auxiliar no planejamento de políticas públicas de saúde e no fortalecimento da vigilância epidemiológica. “Quando muda o padrão das doenças, muitas vezes também está mudando o ambiente. Entender essas dinâmicas permite direcionar melhor as políticas públicas e planejar ações de acordo com a realidade de cada território”, destacou a pesquisadora.

O grupo de pesquisa segue atualizando as bases de dados e desenvolvendo novos estudos na Amazônia. Para Camila, a principal contribuição é reforçar que saúde, meio ambiente e desenvolvimento econômico são temas inseparáveis. “Tudo está interconectado. O meio ambiente interfere na forma como a saúde responde, e isso também está relacionado à pobreza, ao planejamento urbano e ao uso da terra”, concluiu.

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