Além dos doces finos, Pelotas também é tradicional na agricultura familiar. O setor é responsável pelo sustento de várias famílias com empreendimentos passados de geração em geração. Nesta 32ª Fenadoce, a força do segmento está presente no Pavilhão da Agricultura Familiar, ao lado da Cidade do Doce, valorizando a produção local e aproximando produtores e comunidade.
“Nossa gratidão a todos os agricultores que ajudam a construir, todos os dias, o presente e o futuro de Pelotas”, destacou o secretário de Desenvolvimento Rural, Antônio Leonel.
São três segmentos que classificam a produção nos estandes: agroindústria familiar – com alimentos e bebidas (salame, queijo, iogurte, panificados, mel, erva-mate, vinho, cachaça, licor, entre outros itens); floricultura – com destaque para a kokedama, técnica japonesa de jardinagem contemplativa derivada do bonsai; e artesanato – com produtos manufaturados a partir de porongos, madeira, lãs, sementes para confecção de gamelas, cuias, acessórios, decorações e utensílios.
A participação da agroindústria em feiras como a Fenadoce amplia o olhar e o mercado para alguns dos 89 empreendimentos presentes. Segundo a Emater, dos 43 municípios que compõem a Regional Sul, 55% dos empreendimentos têm sucessão familiar. Desses, mais de 40% são administrados por mulheres de diferentes etnias e culturas.
De alimentos processados ao artesanato, as agroindústrias pelotenses dominam todo o circuito – da produção à comercialização. É o caso do apicultor Udo Edemar e sua esposa, Andréa Motta, que produzem cinco mil quilos de mel ao ano. O que começou como hobby é hoje a principal fonte de renda do casal.
Com produção especializada em derivados de leite de ovelha, como queijo, doce de leite, doces tradicionais e iogurtes, o negócio da veterinária Camila Pizoni já está há um ano no mercado. “Trabalho com minha família, que cuida de todos os animais e da produção, já que a agroindústria fica dentro da nossa propriedade”, explicou.
Alguns empreendimentos perduram por anos. A empresa de produção de embutidos de Charles Perleberg soma 12 anos de labuta. “Tudo o que vendemos carrega a clássica receita da minha avó, desde salames e linguiças defumadas. Hoje seguimos vendendo por toda região e trabalhamos em um núcleo pequeno, principalmente eu, minha esposa e minha mãe”, explicou.
A produção de acessórios e utensílios na aldeia Gyrô, do povo indígena Kaingang, na colônia Santa Eulália, interior de Pelotas, vem direto da natureza, num aprendizado de coleta e fabricação que passa de pai para filho. “Coletamos sementes, esculpimos madeiras e criamos estes acessórios, além de instrumentos e decorações que aprendemos desde pequenos como fazer”, disse o artesão indígena César Silva.
