A missão do Sebrae RS ao Colorado, nos Estados Unidos, trouxe importantes lições para a cadeia da carne no Rio Grande do Sul, reunindo especialistas da pecuária, indústria frigorífica e varejo norte-americanos. As visitas proporcionaram insights sobre eficiência produtiva, classificação de carcaças e aproveitamento de cortes, além de estratégias de comunicação com o consumidor.
André Bordignon, especialista em agronegócio do Sebrae RS, destacou que um dos principais aprendizados foi a importância da conexão entre as etapas da produção. Informações sobre o desempenho dos animais e a qualidade das carcaças podem guiar decisões desde a criação dos bezerros até a terminação, alinhando os resultados do campo às exigências do mercado. “Não importa se eu vendo terneiro para um recriador, se não entender qual será a carne desejada, estarei desatualizado”, afirmou.
A Kuner Feedlot, visitada pelo grupo, exemplifica essa abordagem. Com capacidade para 100 mil animais, a unidade estava com cerca de 65 mil bovinos e implementa diferentes programas de terminação que combinam estratégias nutricionais e períodos de confinamento conforme os objetivos de produção.
O grupo também conheceu uma unidade da JBS nos Estados Unidos, que abate 5,2 mil bovinos por dia. No local, foram apresentados os processos de avaliação e classificação de carcaças segundo os padrões do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que ajudam a diferenciar a carne por qualidade e a fornecer informações valiosas aos produtores.
Bordignon ressaltou que a evolução dos indicadores produtivos nos EUA, como o aumento do peso médio das carcaças, que deve passar de 355 quilos em 2001 para 444 quilos em 2025, serve como referência para o setor. Além disso, 88,2% das carcaças se enquadram nas categorias Prime e Choice, evidenciando a qualidade do produto.
No varejo, a transformação de carne bovina em produtos como carne moída e hambúrgueres mostra oportunidades de diversificação no mercado. “Compreender essas preferências pode ajudar a ampliar as possibilidades de comercialização no Brasil”, destacou Bordignon.
A comunicação dos diferenciais do produto é crucial para a competitividade. Bordignon enfatizou a necessidade de o setor participar ativamente das discussões sobre produção de carne e seus impactos ambientais, utilizando evidências para demonstrar as características do Rio Grande do Sul.
A aproximação entre pesquisa e produção também foi abordada durante a missão, com visitas a centros de pesquisa focados em alimentação animal e sustentabilidade. Essas iniciativas são essenciais para desenvolver soluções técnicas e qualificar o debate sobre a atividade.
Para o Sebrae RS, as experiências reforçam a importância da cooperação na cadeia e da compreensão das demandas do consumidor, destacando que o desafio é adaptar práticas que façam sentido para a realidade regional e transformar eficiência produtiva em competitividade.