Um homem de 29 anos foi denunciado pelo MPRS por feminicídio qualificado e outros crimes em Erechim. O promotor de Justiça Fabricio Gustavo Allegretti pediu a perda do poder familiar sobre os filhos da vítima e uma indenização mínima aos sucessores.
“Ele tirou a vida de uma mulher para satisfazer um sentimento egoísta”. Com essas palavras, o promotor de Justiça Fabricio Gustavo Allegretti, do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), denunciou um homem de 29 anos pelos crimes de feminicídio qualificado, lesão corporal e ameaça contra a companheira em Erechim. O MPRS também pediu que a Justiça determine a perda do poder familiar em relação aos dois filhos do casal e fixe indenização mínima aos sucessores da vítima pelos danos causados.
O crime aconteceu na noite de 7 de outubro deste ano. O denunciado descumpriu medida protetiva de urgência, entrou na casa onde morou com a mulher e desferiu diversos golpes de faca. O promotor sustenta que o homem agiu por ciúmes. “Ele não aceitou a decisão da vítima de pôr fim ao relacionamento. Ele agiu motivado por um sentimento de posse e dominação que mantinha sobre a mulher”, afirma. A vítima, uma mulher venezuelana de 27 anos, morreu cerca de cinco horas depois do crime.
A denúncia, apresentada nesta segunda-feira, 26 de outubro, aponta ainda que o feminicídio foi cometido em contexto de violência doméstica, na presença dos dois filhos da vítima, de quatro e três anos de idade, e em descumprimento de medidas protetivas concedidas poucos dias antes do crime. O MPRS também sustenta as qualificadoras de meio cruel, recurso que dificultou a defesa da vítima e motivo torpe.
Além do feminicídio, o denunciado responde por uma agressão ocorrida em agosto de 2026, quando atingiu a companheira na cabeça com um telefone celular, e por ameaças de morte feitas nas semanas que antecederam o feminicídio. A vítima registrou boletim de ocorrência e pediu medida protetiva.
Na sexta-feira, 23 de outubro, a mãe, o pai e a irmã da vítima foram acolhidos na sede das Promotorias de Justiça de Erechim. Os três também são venezuelanos. O promotor Fabrício Allegretti apresentou as providências adotadas pelo MPRS e pela Polícia Civil, explicou o funcionamento do Tribunal do Júri no Brasil e informou que pediu a nomeação de um tradutor para acompanhar os familiares nas audiências.
O MPRS também repassou os canais de atendimento para a manutenção de contato. O pai mora em Santa Catarina; a mãe e a irmã vivem na Venezuela. Elas receberam orientações para encaminhar a guarda dos órfãos.
Como a mãe e a irmã da vítima residem na Venezuela e pretendem retornar ao país após a definição da guarda das crianças, o MPRS pediu a produção antecipada dos depoimentos dessas familiares e do pai da vítima. O objetivo é preservar provas consideradas relevantes para o processo antes que deixem o Brasil.
