Três homens denunciados pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) foram condenados pelo Tribunal do Júri em Vacaria, após um julgamento que ocorreu na segunda-feira, 10 de agosto, e se estendeu até a madrugada desta terça-feira. O mandante do crime recebeu uma pena de 22 anos de reclusão, enquanto os dois executores foram condenados a 12 anos de prisão cada.
Segundo a denúncia do MPRS, os condenados pertencem a um grupo criminoso que planejou a execução de um rival devido a disputas relacionadas ao tráfico de drogas na região. No entanto, os executores, por engano, dispararam contra a residência errada, efetuando ao menos 27 tiros.
Os disparos atingiram um adolescente de 15 anos, que foi alvejado por 12 tiros, e um homem de 26 anos, ferido por dois. Apesar da gravidade dos ferimentos, ambos sobreviveram e não tinham relação com a disputa que motivou o ataque.
O julgamento ocorreu sob forte esquema de segurança, com bloqueios nas ruas próximas ao Fórum de Vacaria. Os promotores de Justiça Lais Saboia Souto e Rafael Graboski dos Santos atuaram no caso.
Lais Souto destacou o impacto da violência do tráfico sobre as populações vulneráveis, afirmando que “as pessoas humildes são as maiores vítimas da violência decorrente do tráfico”. Ele ressaltou que o ataque destruiu os sonhos do adolescente, que agora vive com sequelas permanentes.
Rafael Graboski dos Santos expressou satisfação com a resposta da população de Vacaria, mas também afirmou que o MPRS recorrerá da pena imposta, considerando-a insuficiente diante da gravidade dos crimes.
Ao final do julgamento, um quarto homem denunciado foi absolvido, conforme solicitação do próprio MPRS.