A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) organizou a Amazonia Summer School (AMASS) 2026, em Santarém (PA), que reuniu pesquisadores e estudantes para debater os efeitos dos aerossóis atmosféricos, queimadas e mudanças climáticas na Amazônia.
O evento, realizado de 9 a 15 de agosto, contou com a participação de dois professores e seis alunos da UFSM, visando fortalecer a colaboração científica entre instituições brasileiras e francesas.
Amazônia é uma fonte significativa de aerossóis, que são partículas suspensas na atmosfera. Durante as queimadas, gases e partículas, como carbono em forma de fuligem, são liberados, podendo ser transportados para outras regiões da América do Sul.
Esses aerossóis influenciam processos atmosféricos, interagindo com a radiação solar e afetando a formação de nuvens e o regime de chuvas. A professora Damaris Pinheiro, da UFSM, destacou a importância desses materiais, afirmando que eles “interagem muito com a radiação solar”.
O professor Wagner Anabor ressaltou que, apesar dos avanços nas pesquisas, ainda há muitas questões sobre a quantidade de aerossóis que impactam tempestades. Observações diretas na Amazônia são essenciais para entender essas relações, pois os dados de superfície ainda são limitados.
A AMASS, organizada em parceria com a Université de La Réunion e outras instituições, abordou temas como mudanças climáticas e radiação ultravioleta, e contou com a participação de cerca de 50 a 60 pessoas de diferentes países.
Os participantes visitaram o Observatório da Amazônia, onde equipamentos de monitoramento atmosférico estão instalados. A experiência de campo é fundamental para conectar a pesquisa à realidade amazônica, segundo Anabor.
A participação da UFSM na AMASS está ligada ao projeto AEROBI, que investiga aerossóis da queima de biomassa e seus impactos na atmosfera sul-americana. A cooperação com instituições francesas começou em 2015 e já resultou em intercâmbios acadêmicos e formação de doutores.
Os estudos realizados também ajudam a compreender como os aerossóis das queimadas podem afetar condições atmosféricas no Sul do Brasil, incluindo o Rio Grande do Sul. A UFSM planeja estabelecer um observatório permanente para monitorar as condições atmosféricas a longo prazo.
