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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Quarto imersivo e contação de história homenageiam Mário Quintana na Feira do Livro de Santa Maria

Quarto imersivo e contação de história homenageiam Mário Quintana na Feira do Livro de Santa Maria
Quarto imersivo e contação de história homenageiam Mário Quintana na Feira do Livro de Santa Maria
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Na 53ª Feira do Livro de Santa Maria, o público pôde visitar um espaço imersivo inspirado no quarto de hotel onde o poeta Mário de Miranda Quintana morou, instalado no centro da Praça Saldanha Marinho. Três estudantes da UFSM transformaram o espaço em palco, e o Coletivo Elipso realizou contação de história baseada na obra “Lili Inventa o Mundo”.

Mário de Miranda Quintana foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro, considerado um dos principais expoentes da segunda geração do modernismo no país. O homenageado da 53ª Feira do Livro de Santa Maria, conhecido como “o poeta das coisas simples” nasceu em Alegrete há 120 anos. Sua obra é marcada pela linguagem simples e pela abordagem de temas cotidianos e contemplativos.

Na década de 1920, Mário Quintana passou a residir em Porto Alegre. E entre 1968 e 1980, morou em um quarto do Hotel Majestic – prédio conhecido por sediar a Casa de Cultura Mário Quintina (CCMQ). Naquele período, o autor atuava como desempacotador de livros na Livraria do Globo, redator no jornal O Estado do Rio Grande, e escreveu Caderno H (1973), Apontamentos de História Sobrenatural (1976) e A Vaca e o Hipogrifo (1977). A primeira obra data de 1940, a Rua dos Cataventos. Quintana ainda foi tradutor, ao trazer para o português Virginia Woolf e Marcel Proust.

Na edição de 2026 da Feira do Livro de Santa Maria, o público pôde visitar um espaço imersivo inspirado no quarto de hotel onde o poeta morou, instalado no centro da Praça Saldanha Marinho. Dentro do lugar, que remetia à uma pequena casa, viam-se elementos que constituem um quarto: cama, escrivaninha e estante. A máquina de escrever, o chimarrão, as bergamotas, os muitos livros e o óculos redondo sinalizaram que ali viveu um dos maiores nomes da literatura brasileira.

Três estudantes dos cursos de Licenciatura em Teatro e das Artes Cênicas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) transformaram o quarto imersivo de Quintana na Feira do Livro de Santa Maria em um palco. O trio trouxe de forma dinâmica e delicada a história do “poeta das coisas simples” Quintana para a comunidade santa-mariense.

A universitária Manoela Michelin, do curso de Artes Cênicas, conta que a experiência foi muito positiva e as trocas com o público marcaram o Espaço Imersivo. “É uma coisa que sempre nos enriquece enquanto artistas e, também, enquanto pessoas. A gente vive nessa correria e poder escutar uma criança falando ou uma pessoa idosa lendo um poema, sempre traz uma nova visão daquele mesmo texto que a gente está lendo há 10 sessões naquele dia”, compara. Para a atriz, ver a arte ocupar a cidade fora do meio universitário e do meio da pesquisa, é algo muito bonito e especial.

Já o estudante de Licenciatura em Teatro, Guilherme Bueno, reforça a importância de homenagear o poeta: “Acredito que é importante lembrar o trabalho dele para as novas gerações. Como ele mesmo escreveu, ‘o segredo não é correr atrás das borboletas, mas cuidar do jardim para que elas venham até você’. Então acho que a gente faz a manutenção desse jardim para as novas gerações”, reflete.

Os artistas avaliam a recepção positiva do público: sessões lotadas e, principalmente, o desligamento do mundo externo. “Eles respeitam o uso do celular dentro do espaço e aguardam para fazer fotos e vídeos somente no final. Eles ficam, de fato, imersos e conseguem mergulhar na proposta do trabalho”, conta Guilherme.

Já na outra ponta da Praça Saldanha Marinho, no estande da Associação dos Professores Universitários de Santa Maria (APUSM), acontecia, simultaneamente, a contação de história de “Lili Inventa o Mundo”, de Mário Quintana. O livro de poesias foi originalmente publicado em 1983 e acompanha uma menina que “vive no mundo do faz de conta”.

Na abertura do livro, Quintana reflete sobre a imaginação: “As pessoas sem imaginação podem ter tido as mais imprevistas aventuras, podem ter visitado as terras mais estranhas. Nada lhes ficou. Nada lhes sobrou. Uma vida não basta ser apenas vivida: também precisa ser sonhada”. E foi baseada nessa leitura que o Coletivo Elipso, em parceria com a APUSM, desenvolveu sua atividade.

As atrizes do coletivo, Victoria Leal e Renata Gassen, egressas do curso de Licenciatura em Teatro e Artes Cênicas da UFSM, respectivamente, contracenaram com uma boneca e levaram ao palco uma proposta de cena animada. Com músicas, coreografias e momentos contemplativos, a apresentação evitou o didatismo excessivo para incentivar a contemplação de Lili, para que a criança pudesse agir com ela “de igual para igual”.

A marcante característica do autor de trazer o cotidiano da personagem para dentro da história foi o que possibilitou ao coletivo criar uma narrativa a partir dos poemas. “A gente cria uma ordem desses poemas para contar um pouco de como é o dia a dia da Lili, da perspectiva dela. Sempre trazendo essa associação que o Mário Quintana faz com os elementos da natureza, o vento e as coisas que a criança sente: o medo, a alegria da vida aos dançar na chuva”, explica Renata.

A estudante reflete que, hoje em dia, os conteúdos consumidos pelas crianças têm se tornado cada vez mais óbvios, ou seja, menos lúdicos e imaginativos. É aqui que entra a importância de trazer o autor para o espaço infantil. “Ele é muito importante, porque resgata o lúdico pelo contato com as crianças. Quando ele poetiza sobre assuntos do cotidiano, quando ele traz para as infâncias, é o olhar da criança sobre aquilo”, observa Victoria.

Renata explica que a contação de história se baseia no público a quem é direcionada. Contudo, as atrizes relatam que, na feira, receberam pessoas de todas as idades e, com isso, perceberam que essa era uma atividade para todo mundo. “Quando a gente chegou, tinham pessoas mais idosas assistindo, e elas começaram a rir também, se divertiam. A gente consegue envolver os espectadores pela música e pela narrativa. Com a boneca, a gente percebeu que estimulamos a imaginação das pessoas junto com aquilo. Então tudo isso é a soma da sutileza da escrita do Mário Quintana”, conclui.

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