O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) deflagrou nesta sexta-feira, 14 de agosto, a Operação Expurgo, com o objetivo de investigar o uso indevido de recursos públicos na Câmara Municipal de Pelotas. A operação visa apurar a prática de ‘rachadinha’, infiltração de organização criminosa na estrutura administrativa e lavagem de dinheiro.
Foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão em Pelotas e Capão do Leão, envolvendo três vereadores, assessores parlamentares, servidores e particulares, totalizando 20 alvos. A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Rogério Meirelles Caldas, com apoio da Brigada Militar e participação de outros promotores.
De acordo com Rogério Caldas, a investigação revela duas situações graves: a exigência de devolução de parte dos salários de servidores comissionados e a ocupação de cargos públicos por pessoas ligadas ao crime organizado. As buscas visam coletar elementos que ajudem a esclarecer os fatos.
A prática de ‘rachadinha’ consiste na exigência de repasse de parte dos salários de servidores a agentes públicos, com posterior ocultação e movimentação dos valores. Além disso, a apuração investiga o uso de cargos para beneficiar integrantes de organizações criminosas e a utilização de verbas públicas para quitar dívidas de agiotagem.
Das ordens judiciais, cinco foram cumpridas nas dependências da Câmara, resultando na apreensão de R$ 96 mil com dois vereadores e um assessor. As diligências buscam reunir provas para investigar crimes como organização criminosa, peculato, corrupção passiva e outros ilícitos. O caso teve origem em relatos de um ex-secretário municipal e dois servidores, corroborados por documentos e dados financeiros.