Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen, desenvolveram uma plataforma inovadora que utiliza drones e inteligência artificial para monitorar a qualidade da água e detectar a presença de cianobactérias, também conhecidas como algas azuis. A tecnologia, chamada CIANOVANT, emite alertas em tempo real sobre toxinas, auxiliando gestores na tomada de decisões.
O sistema foi criado em parceria com a Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e integra imagens captadas por drones, sensoriamento remoto e algoritmos de IA. As imagens são processadas em nuvem e os resultados são apresentados em um aplicativo, com mapas de calor e gráficos de fácil interpretação. Isso reduz custos e aumenta a frequência das inspeções, em comparação aos métodos laboratoriais tradicionais.
As cianobactérias podem se multiplicar em águas poluídas e liberar toxinas perigosas para humanos e animais. O monitoramento busca prevenir episódios como o ocorrido em Caruaru (PE), em 1996, quando a contaminação da água causou a morte de 60 pessoas em uma clínica de hemodiálise. Além disso, estudos indicam que essas toxinas podem potencializar os efeitos do vírus da Zika.
O professor Emanuel Araújo Silva, coordenador da pesquisa, destaca que o aplicativo converte dados complexos em informações práticas. “A importância do aplicativo está em converter dados complexos em informação prática para a tomada de decisão”, afirma. Ele também ressalta que a inovação democratiza o monitoramento ambiental, permitindo que drones de menor custo forneçam resultados eficazes.
A plataforma já foi registrada no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e é financiada pelo CNPq. No futuro, a equipe pretende expandir o uso para detectar outros contaminantes, como coliformes fecais, e adaptar a tecnologia para captação de imagens por celular, facilitando o monitoramento em rios menores.
Para Araújo, a pesquisa demonstra o papel da universidade pública na produção de tecnologia nacional. “A universidade pública democratiza o acesso à ciência e à tecnologia, forma profissionais capacitados, fortalece o desenvolvimento regional e oferece soluções que podem ser adaptadas e utilizadas por comunidades, instituições públicas e produtores”, conclui.