quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Postado emEconomia, Rio Grande do Sul

Indústria gaúcha cresce em junho após dois meses de queda, aponta FIERGS

Indústria gaúcha cresce em junho após dois meses de queda, aponta FIERGS
Indústria gaúcha cresce em junho após dois meses de queda, aponta FIERGS
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A produção da indústria gaúcha voltou a crescer em junho, após dois meses consecutivos de retração, segundo a Sondagem Industrial divulgada pelo Sistema FIERGS nesta quinta-feira (30). O índice atingiu 50,7 pontos, ultrapassando a linha dos 50, o que indica expansão da atividade industrial no período.

Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, o resultado é um sinal positivo, mas o cenário econômico ainda exige cautela. “A recuperação da produção em junho é um indicativo favorável para a indústria gaúcha, mas o cenário ainda impõe desafios importantes. A demanda segue pressionada e fatores como os juros elevados e o custo das matérias-primas continuam restringindo o ritmo de crescimento. É essencial avançarmos em medidas que fortaleçam a competitividade das empresas e criem um ambiente mais favorável aos investimentos e à geração de empregos”, afirma Bier.

A pesquisa também mostra ligeiro avanço no índice de número de empregados, que passou para 48,9 pontos em junho. Apesar da melhora, o indicador permaneceu abaixo da linha dos 50 pontos, indicando continuidade da redução do emprego industrial. A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) subiu para 70%, avanço de três pontos percentuais em relação a maio e o maior patamar desde outubro de 2025. Já o índice de UCI em relação ao usual alcançou 44,9, alta de cinco pontos, mas permaneceu abaixo do nível considerado normal para o período. Os estoques de produtos finais também cresceram em junho, com o índice atingindo 53 pontos, sinalizando continuidade do crescimento dos estoques em relação ao mês anterior.

As expectativas dos empresários para os próximos seis meses para as exportações avançaram para 49,1 pontos, enquanto as de compras de matérias-primas chegaram a 49,2. Apesar do avanço, ambos os indicadores continuaram abaixo da linha divisória dos 50, sinalizando expectativa de retração. Já o índice de expectativa de emprego recuou para 48,3 pontos, reforçando a perspectiva de redução do quadro de pessoal. Em contrapartida, o índice de expectativa de demanda permaneceu acima da linha dos 50, ao registrar 50,6 pontos, indicando perspectiva de crescimento da demanda nos próximos seis meses. Com isso, as expectativas para os próximos seis meses permaneceram moderadamente pessimistas em julho, com três dos quatro indicadores abaixo da linha de 50 pontos.

A intenção de investir da indústria gaúcha recuou 0,9 ponto em junho, passando de 53,4 para 52,5 pontos. Apesar da redução, o indicador segue ligeiramente acima da média histórica, de 52,1 pontos. No período, 54,9% dos empresários consultados afirmaram que pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses.

Entre os principais entraves enfrentados pela indústria gaúcha no segundo trimestre, a demanda interna insuficiente permaneceu na primeira posição, sendo apontada por 38,3% dos respondentes, seguida pelas elevadas taxas de juros e pela falta ou pelo alto custo das matérias-primas, ambas mencionadas por 30,8% dos entrevistados. A percepção dos industriais sobre a situação financeira das empresas tornou-se menos negativa em comparação ao trimestre anterior, embora o cenário ainda permaneça desfavorável. O índice de satisfação com a situação financeira avançou 1,9 ponto, chegando a 45,8 pontos, enquanto o indicador de satisfação com a margem de lucro subiu quatro, alcançando 40,2 pontos. Ambos, entretanto, seguiram abaixo da linha dos 50 pontos, indicando que a insatisfação ainda predomina entre as empresas.

O acesso ao crédito continua sendo um desafio para o setor. O indicador atingiu 38,7 pontos, alta de 2,7 em relação ao trimestre anterior, mas ainda demonstra dificuldade significativa para obtenção de financiamento. Já o índice de evolução dos preços dos insumos recuou 3,1 pontos, para 65,5. Apesar da queda, permaneceu em patamar elevado, refletindo a percepção disseminada de aumento dos custos das matérias-primas. A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 10 de julho com 134 empresas industriais do Rio Grande do Sul, sendo 30 de pequeno porte, 41 de médio porte e 63 de grande porte.

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