A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS) manifestou preocupação com a modelagem proposta para a concessão da Malha Sul ferroviária, durante audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) nesta quarta-feira (29), no Teatro FIERGS. A entidade defende a revisão do modelo, que prevê a segmentação da malha em três corredores independentes: Mercosul, Rio Grande e Paraná-Santa Catarina.
Para a FIERGS, a divisão pode fragilizar a integração ferroviária do Sul e causar prejuízo desproporcional ao Rio Grande do Sul, que perderia cerca de 47% de sua malha e ficaria restrito a corredores classificados como deficitários. “Durante muitos anos, nossa malha ferroviária perdeu capacidade por falta de investimentos e pela deterioração da infraestrutura”, destacou o coordenador do Grupo Temático de Logística do Conselho de Infraestrutura (Coinfra) da FIERGS, Sérgio Klein. “Usar esse histórico como referência para projetar os próximos trinta anos significa limitar o potencial de crescimento da própria ferrovia”.
Klein ressaltou que a Federação defende uma modelagem pensada para induzir o desenvolvimento econômico do Rio Grande do Sul, e não apenas para administrar a demanda de um sistema sucateado. “Não podemos planejar a ferrovia do futuro olhando apenas para as limitações do presente”, concluiu.
O superintendente de Concessão da Infraestrutura (Sucon) da ANTT, Marcelo Fonseca, afirmou que a audiência é “um momento de oportunizar o debate” e que as discussões funcionam como pontapé inicial para o aprimoramento a partir dos estudos técnicos. Fonseca explicou que o encontro integra uma série de três sessões públicas na Região Sul; Curitiba (PR) recebeu o evento em 27 de julho, e Florianópolis (SC) sediará a última sessão nesta sexta-feira (31).
Com aproximadamente 4.247 quilômetros de extensão, a atual Malha Sul atravessa São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O projeto em discussão divide a rede em três concessões independentes: Corredor Paraná-Santa Catarina (1.502 km), Corredor Mercosul (1.865 km) e Corredor Rio Grande (880 km). Fonseca detalhou os estudos técnicos, os desafios operacionais e a dinâmica do leilão, e pontuou que o Corredor Mercosul foi diretamente afetado pela tragédia climática no estado, que inutilizou cerca de 1.140 km e afetou outros 432 km de vias. As contribuições ao edital podem ser feitas online até 10 de agosto de 2026.
O vice-governador do estado, Gabriel Souza, afirmou que é essencial o trabalho conjunto para viabilizar uma logística competitiva no Sul do Brasil, o que não existiria sem o desenvolvimento da malha ferroviária. Para empresários e trabalhadores gaúchos, a manutenção de uma malha integrada é crucial para a competitividade industrial e o escoamento da produção, especialmente diante dos prejuízos causados pelas enchentes.
