Em Pelotas, por ocasião da celebração do Dia do Servidor Público (28 de outubro), a Prefeitura contemplou os funcionários municipais com grande festividade na data, no Largo do Mercado, e feriado decretado para esta sexta-feira (30). As homenagens refletem o reconhecimento de todos e todas que transformam plataformas de governo na qualificação da vida dos moradores.
Ao relacionar os municipários a “pontes” entre representantes mandatários e população, o prefeito destaca o papel imprescindível na execução de políticas capazes de atender efetivamente aos interesses coletivos.
Advinda das lutas sindicais, a secretária de Recursos Humanos, Carla Cassais – escolhida pelo prefeito em razão da larga experiência no serviço público –, deseja aos nomeados neste ano boas-vindas e reafirma o empenho na valorização da categoria.
Segundo a titular da pasta municipal, o propósito desta determinação de finalidades, competências, ações e incentivos, impulsionadora do crescimento dos profissionais na municipalidade, proporcionará mais perspectivas pessoais e planejamento de vida. Por exemplo, menciona a secretária, saber o que se pode conquistar e como atingir os objetivos traçados.
Coexistem, na Administração Municipal, diversos regimes – estatutários ou concursados, celetistas (amparados pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT) e comissionados (ocupantes de Cargos em Comissão – CCs). Como consequência, diferentes gerações de agentes convivem no exercício das funções laborais nas numerosas linhas de frente.
Detentor de uma das matrículas mais antigas, o fiscal de Obras e Postura da Secretaria de Urbanismo (Seurb), Hercio Bahr Fernandes, 75 anos de idade, trabalha desde 1972, “quando o prefeito era Francisco Louzada da Fonseca”.
A carreira, conforme o próprio funcionário celetista – casado, com três filhos e quatro netos –, possibilitou “sair das circunstâncias precárias de moradia e alimentação ainda muito jovem”, ao mesmo tempo em que encontrou a maior vocação – servir pessoas. Deixar de fazer “bicos” para sobreviver e obter estabilidade no emprego consistem nas maiores conquistas ao longo dos 54 anos de atuação no Município.
Ciente de que estruturas estatais são laicas, o veterano pratica a religiosidade, contudo a restringe à vida pessoal. Ele é espírita e acredita que o estudo dos preceitos da doutina o ajude, forneça subsídio, de acordo com as próprias palavras, a pacificar, a recepcionar paciente e empaticamente munícipes, não raramente exaltados.
No início, recorda Hercio, “pegou no pesado” em jornada de dois turnos, na pedreira do 9° distrito, Monte Bonito, interior de Pelotas. Mesmo se tratando de serviço extenuante, classificou-o como avanço: “para ajudar os meus pais no orçamento, pois éramos oito irmãos na Colônia, comecei, aos 11 anos e com a 5ª série do Ensino Fundamental completa, a trabalhar em uma olaria”. Na sequência, integrou a mão de obra da fábrica de frutas Almeida, localizada na Ponte Cordeiro de Farias.
Já na zona urbana, pôde formar-se na Escola Dom João Braga, fazer o curso “Relações Humanas” no Senac e concluir a formação de extensão da UCPel na área de fiscalização de obras. Quanto à memória afetiva, cita a participação na formulação do 2° Plano Diretor de Pelotas, resumindo-a ao momento mais marcante e gratificante da carreira.
Outro municipário com bastante tempo de “casa”, o burocrata Carlos Henrique Barbosa Correia da Silva, lotado na Unidade Multimídias da Secretaria de Educação (SME), recebeu deferência da gestora da pasta, Nailê Pinto. “Ao funcionário com a trajetória mais extensa até o momento na SME, nomeado em 1980, prestamos tributo, manifestamos respeito e entregamos agradecimentos pelos 46 anos de dedicação”, salientou a secretária.
Representando o novo contingente empossado, a professora de Espanhol Monique Cunha de Souza, 33 anos, leciona há três semanas nas instituições municipais de ensino fundamental Santa Irene, no bairro Pestano, e Antônio Ronna, localizada na Vila Princesa. Admitida por meio do concurso de 2025, que considerou as notas da Prova Nacional Docente (PND) e da avaliação de títulos, a servidora municipal de Pelotas diz sentir-se contente por manter dois vínculos – as jornadas de 25 horas na Escola Estadual Nossa Senhora Medianeira, na cidade natal de Rio Grande, onde ensina Português, e de 20 horas na rede pelotense.
Doutoranda em Educação pelo IFSul Pelotas, Monique espera recompensa futura a partir do esforço de deslocamento entre as cidades e do cumprimento da grande carga horária assumida. No entender da mestre, a estabilidade garantida pelo setor público, por si só, já se configura em vantagem atratativa.
Com menos de um mês “de crachá”, o maior desafio encontrado no ingresso na Prefeitura – o ensino da língua estrangeira a alunos das séries iniciais – levou-a a “situações-teste” e à criatividade, tendo em vista o aprendizado. “Crianças não alfabetizadas vêm demandando uso de material pedagógico diferenciado, somado a atividades novas, entre elas pinturas, recortes, jogos, montagens de letras e foco na oralidade”, frisa a docente.
A criação de parâmetros à atuação exitosa nas turmas de estudantes da 1ª e 2ª séries, de acordo com a funcionária, será uma contribuição à educação. Acerca dos aspectos positivos em relevo, Monique elogia a receptividade da SME e da Emef Santa Irene, assim como a organização do grupo de trabalhadores da Emef Antônio Ronna.
Ministrar aulas estando sempre consciente dos vários papéis e desempenhá-los da melhor maneira constituem-se nas metas primordiais. “Pretendo continuar a apoiar os educandos, tratar todos e todas com equidade, manter o olhar mais individualizado e humano, acolhedor, na busca permanente de deixar a marca positiva de alguém que foi responsável e ética”, almeja a educadora, bastante animada.