O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) investiga desvios de mais de R$ 5 milhões da Santa Casa de Caridade de Uruguaiana, um hospital essencial para a população da Fronteira Oeste. Na quarta-feira, 7 de outubro, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) cumpriu 25 mandados de busca e apreensão em várias cidades, incluindo Uruguaiana e Porto Alegre, além de locais em Santa Catarina e Paraná.
A ação, liderada pelo Promotor de Justiça João Afonso Beltrame, apura crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e organização criminosa. Os investigadores buscam evidências sobre contratos, pagamentos e decisões administrativas que podem ter causado prejuízos financeiros à instituição e comprometido a aplicação de recursos destinados à saúde.
Os alvos das investigações incluem gestores, empresários e empresas com vínculos contratuais com a Santa Casa, totalizando 11 pessoas físicas, incluindo ex-secretários. Não há investigados da atual gestão municipal. As apurações focam em superfaturamento de contratos e pagamentos irregulares entre 2019 e 2024.
A investigação se divide em três frentes: a primeira analisa contratos de consultoria e tecnologia firmados entre 2023 e 2024; a segunda investiga conflitos de interesse na administração; e a terceira examina contratos de prestação de serviços médicos. O GAECO busca reunir dados que possam esclarecer os fluxos financeiros e administrativos da entidade hospitalar.
Dados preliminares indicam um aumento significativo nas despesas com serviços de terceiros, que saltaram de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 13,7 milhões em 2024, além de um crescimento de 165% nos gastos com honorários médicos no mesmo período.
