domingo, 11 de outubro de 2026
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MPRS denuncia policial penal e mais três por furto de ouro e lavagem de R$ 8,8 milhões

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MPRS denuncia policial penal e mais três por furto de ouro e lavagem de R$ 8,8 milhões
MPRS denuncia policial penal e mais três por furto de ouro e lavagem de R$ 8,8 milhões

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) apresentou denúncia criminal contra um policial penal e outras três pessoas, acusados de envolvimento em um complexo esquema de furto de relógios de luxo, joias e moedas de ouro, seguido de operações de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos bens e valores. O acervo furtado, pertencente a familiares idosos do policial, é avaliado em cerca de R$ 8,87 milhões.

De acordo com a denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre, o principal investigado, um policial penal de 31 anos, teria se aproveitado da relação de confiança com seu avô e tios para subtrair os bens de uma residência na capital gaúcha. Os furtos teriam ocorrido no segundo semestre de 2024, envolvendo aproximadamente 17,5 quilos de ouro, avaliados em R$ 7,8 milhões na época, e seis relógios de luxo, estimados em cerca de R$ 1 milhão.

O promotor Flávio Duarte, responsável pela investigação, destacou que o policial conhecia o local de armazenamento do acervo e tinha acesso facilitado ao imóvel. “Para cometer os crimes, o denunciado usou da relação de confiança que mantinha com as vítimas, todas elas familiares próximas e diretas, e das facilidades concretas que eram proporcionadas em razão dessa condição”, afirmou Duarte. Parte do ouro vinha sendo acumulada desde a década de 1950, e o próprio policial auxiliou no transporte e armazenamento em 2023, o que lhe deu conhecimento exato da natureza e dimensão dos bens.

Para retardar a descoberta dos crimes, o denunciado teria trocado moedas de ouro por falsas e relógios autênticos por réplicas, criando uma aparência de integridade do acervo. A denúncia também aponta a participação de um comerciante de 65 anos, especializado em metais preciosos, e um leiloeiro oficial de 42 anos, que teriam recebido, armazenado e comercializado os objetos ilícitos, utilizando suas atividades profissionais para inseri-los no mercado e obter vantagem econômica.

Após a venda dos bens, os valores foram submetidos a diversas operações financeiras para ocultar sua origem. O MPRS detalha que os recursos foram movimentados por contas de terceiros, usados em pagamentos fracionados e direcionados para a compra de veículos, uma moto aquática, equipamentos eletrônicos, viagens, aluguel de imóvel e procedimentos estéticos. Pelo menos R$ 1,6 milhão teria sido lavado.

A companheira do policial penal, uma mulher de 37 anos, também foi denunciada por participar da etapa de lavagem de dinheiro, recebendo valores em conta bancária e sendo beneficiária de despesas pagas com o dinheiro ilícito. Segundo o promotor Flávio Duarte, os quatro denunciados atuaram de forma estável e coordenada por aproximadamente dois anos, com divisão de tarefas para o furto, comercialização dos objetos e circulação dos valores.

O Ministério Público denunciou o policial penal por dois crimes de furto qualificado, lavagem de dinheiro e associação criminosa. A companheira responde por lavagem de dinheiro e associação criminosa, enquanto o comerciante e o leiloeiro foram acusados de receptação qualificada, lavagem de dinheiro e associação criminosa. O MPRS também requer a fixação de um valor mínimo para reparação dos danos às vítimas. O policial penal teve sua prisão preventiva cumprida em 14 de setembro de 2026 e segue detido.

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