A deriva de herbicidas, especialmente hormonais, está ameaçando a produção de frutas no Rio Grande do Sul, conforme relatos de produtores e especialistas durante o seminário “Deriva de Herbicidas Hormonais: Evidências, impactos e caminhos para a Agricultura Gaúcha”, realizado na UFSM.
O técnico agrícola Alexandre Maia, que atua na Cooperativa Agrária São José, em Jaguari, observou em 2011 danos nas videiras, como folhas retorcidas, em mais de 50 vinhedos da região, mesmo em propriedades sem lavouras próximas. Isso levantou suspeitas sobre a deriva de herbicidas, que pode ser transportada pelo ar a longas distâncias.
Desde então, a área de vinhedos na cooperativa caiu de mais de 120 hectares para cerca de 70 hectares, com uma redução de 50% na produtividade. Maia enfatiza que a indústria está operando abaixo da capacidade, o que eleva os custos de produção.
A engenheira agrônoma Aline Fogaça, que também enfrenta problemas em sua vinícola, a Velho Amâncio, relatou que os danos se intensificaram a partir de 2023, tornando-se insustentáveis.
Aline e outros produtores formaram a Aliança pela Fruticultura, buscando aumentar a discussão sobre os impactos da deriva e promover o diálogo com instituições públicas e de pesquisa. Os herbicidas hormonais, que afetam o crescimento das plantas, podem causar danos significativos às culturas frutíferas, mesmo em pequenas quantidades.
O professor Gustavo Pinto da Silva, coordenador do evento, destacou a dificuldade de dar visibilidade ao problema, que é frequentemente ignorado pela mídia. Ele e Aline apontaram a falta de pesquisas sobre o tema, enfatizando a importância de eventos como o seminário para fomentar o debate.
Em resposta a esses desafios, a Emater/RS implementou um programa de capacitação para agricultores sobre o uso seguro de herbicidas, atendendo à nova normativa que exige formação para a aquisição desses produtos. Desde 2019, mais de 24 mil pessoas foram capacitadas.