O Teatro Caixa Preta, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), recebeu nesta quinta-feira (3) o espetáculo de dança inclusiva ‘Desapego’, da Companhia de Dança Lápis de Seda, de Florianópolis (SC). O evento apresentou a dança contemporânea com a participação de artistas com e sem deficiência.
Nove bailarinos utilizaram molduras em tamanho real como objetos cênicos para ressignificar os enquadramentos sociais. A diretora da companhia, Ana Luiza Ciscato, destacou que o espetáculo visa o ‘desapego daquilo que causa dor durante o processo de tentar se moldar para caber onde não se cabe’.
As diferenças entre os bailarinos foram exploradas como matéria-prima para a criação. Ana Luiza, que também é a coreógrafa, explicou que os movimentos surgiram de laboratórios realizados com o grupo. A bailarina Roberta Nastari de Oliveira ressaltou que as molduras representam a proposta do espetáculo, ligando o subjetivo ao sentimento de estar preso a padrões impostos.
O produtor Ulisses Souza informou que ‘Desapego’ foi apoiado pela Funarte e passou por três cidades antes de Santa Maria: Florianópolis, São José (SC) e Curitiba (PR). O espetáculo retornará a Florianópolis para encerrar a temporada.
A passagem da companhia por Santa Maria incluiu uma oficina de dança para pessoas com deficiência, ministrada por Ana Luiza, que envolveu aquecimento, alongamento e jogos de interação. O espetáculo e a oficina contaram com intérprete de Libras, reforçando o compromisso com a acessibilidade.
A Companhia Lápis de Seda, fundada em 2013, possui sete espetáculos em seu repertório, sendo ‘Desapego’ o mais recente. Ana Luiza, com 25 anos de experiência em dança inclusiva, enfatizou a importância de compartilhar seu modelo e técnica, além de anunciar um novo espetáculo em processo de criação, com estreia prevista para novembro de 2026.