A Escola Municipal Infantil Jardim Glória, em Bento Gonçalves, desenvolve neste ano o projeto “Observatório Vivo: Borboletas e Caramujos do Jardim”, que permite às crianças da Educação Infantil acompanharem de perto os ciclos de vida desses animais. A iniciativa faz parte do projeto norteador da escola, intitulado “A potência da infância e os encontros com e na natureza”, alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Segundo a vice-diretora Marta Sassi, as lagartas chegaram à escola no dia 15 de junho, acompanhadas de um fragmento da planta Asclepias physocarpa, conhecida como planta-balão, da qual se alimentavam. O primeiro casulo surgiu no dia 18 de junho e, no dia 20 de julho, a comunidade escolar presenciou o nascimento de duas borboletas-monarca-do-sul. Ainda permanece no observatório um casulo formado no dia 30 de junho, de uma lagarta menor.
O processo é registrado junto às crianças por meio de uma linha do tempo, que permite acompanhar as diferentes etapas da transformação. “As crianças puderam observar as lagartas, seus movimentos, sua alimentação, a formação dos casulos e, posteriormente, o nascimento das borboletas. Mais do que apresentar a metamorfose, a proposta possibilitou que as crianças acompanhassem um processo real acontecendo diante de seus olhos”, relata Marta.
A diretora Aline Fragata dos Santos Barbosa destaca a metáfora pedagógica: “Assim como cada lagarta formou seu casulo no seu tempo, cada criança também possui seu próprio percurso para desenvolver habilidades, conquistar autonomia e realizar novas aprendizagens. O casulo representa um tempo de pausa, silêncio e transformação.”
Marta Sassi, escritora homenageada da 40ª Feira do Livro de Bento Gonçalves, complementa: “Essa experiência também permite conversar com as crianças sobre a importância de respeitar o tempo de cada um. Fragilidade e força: ao sair do casulo, a borboleta precisa de um tempo para que suas asas se preparem para o voo e não pode ser tocada. A criança percebe que cuidar também significa saber esperar, observar e respeitar os processos do outro.”